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Nunca se chegaram a apurar as razões pelas quais Wilhelm Konrad Roentgen pediu para serem destruídos todos os seus apontamentos científicos, após a sua morte. É uma atitude invulgar e, por tal, mereceu as mais variadas conjunturas por parte dos seus detratores. Chegou-se a alvitrar que a Descoberta fora feita por um dos seus colaboradores. Hipótese pouco credível, porque é inquestionável o longo percurso de investigações na área da Física, e a sua personalidade reconhecida de grande cientista.
O carácter forte de Roentgen fora evidente desde cedo. Teve dificuldades em entrar para a Universidade, mas isso não o fez desistir dos estudos. Soube, sabiamente, descortinar oportunidades. Foi assim que se deslocou para Zurich, onde lhe fora dito poder entrar na Universidade, sem o último dos exames do secundário.
Um pequeno episódio criara-lhe a maior das complicações no acesso à Universidade: um colega seu fizera uma caricatura de um professor, e Roentgen rem cusou-se a identificar o autor. Daí resultou a sua expulsão da escola. Voltou a ir tentar o exame, mas o acaso da doença de outro professor, fez aparecer no Júri o tal mestre caricaturado...
A providencial mudança para Suiça abriu-lhe uma radical viragem na vida: não só singrou nos estudos, como conheceu ali Bertha, a sua companheira de meio século. Era uma mulher tão bela como voluntariosa, à qual se pode atribuir um importante contributo, embora indirecto, na Descoberta.
Reconstituindo factos narrados em cartas de Bertha, sabe-se que Roentgen, um dia ao fim da manhã, recebeu a visita de um amigo. Este, sabendo o seu interesse pela fotografia, trouxe-lhe algumas placas fotográficas. Estas foram depositadas em cima de uma mesa, sob um livro com uma capa metálica, que tinha o desenho de uma chave. Na mesa estava uma ampola com a qual Roentgen fazia experiências, nesse Laboratório situado por baixo da habitação do casal. Chegada a hora do almoço, Bertha chamou os dois amigos. Como continuassem entretidos na conversa, o chamamento foi mais insistente. Especulando um pouco, supõe-se que o tom de Bertha terá sido tal que Roentgen, apesar da sua conhecida meticulosidade, deixou a ampola ligada. Uns dias depois, ao revelar uma fotografia feita com uma das referidas placas, viu a imagem da chave. Ficou estupefacto e procurou a explicação do fenómeno, que foi repetindo. Se tudo assim aconteceu, Bertha marcou o momento da Descoberta dos raios X. Mas, de qualquer modo, foi ela que proporcionou ao marido a estabilidade indispensável ao seu percurso de cientista.
Julgamos que a expulsão da escola de Utrecht e o encontro com Bertha, terão sido factos de terminantes na Descoberta dos raios X.